quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Gina em: A calcinha

Quando o curitibano se encostou na varanda de seu apartamento no centro da cidade ele sabia que nada mais poderia acontecer a seu dia: seu pneu furou em plena avenida Iguaçu, chegou atrasado, levou bronca do chefe, ficou estagnado no trânsito da Silva Jardim e sua esposa ainda parecia furiosa pelo telefone quando ligou para ela no meio da tarde. Ele tinha uma consciência vã que nada mais lhe poderia ocorrer, já havia passado por todo tipo de situação inesperada naquele dia, mas aconteceu ainda mais, uma calcinha fio dental caiu do céu direto nas mãos dele, provavelmente do apartamento de cima...

Pensou simplesmente em sair de casa e devolvê-la. "Oi, desculpa, é que... bem... sua calcinha fio dental caiu no meu apartamento e vim devolvê-la". Era fácil não? Não muito.E se atende um homem. "Oi, desculpe, é que... a sua esposa. É esposa? Deixou cair esse fio dental lá em casa e vim devol...". Certamente só 25% da sua integridade física voltaria para depois de um encontro desses.

Pensou na possibilidade de sua esposa entregar, seria mais polido, mas aí surgia um novo problema, ela certamente perguntaria "Que diabos a calcinha fio dental da vizinha faz aqui em casa??? Você é muito cara-de-pau. Tem um encontro no nosso apartamento com a vizinha e ainda tem a audácia de pedir para que eu devolva a calcinha que ela esqueceu!!! Você é um cachorro! Cretino !". Era bem provável que ela agisse dessa maneira.

E se ele simplesmente não devolvesse? "Estaria tudo certo" pensou o curitibano, mas e se a vizinha viesse procurar a calcinha, sua esposa teria a mesma crise da amante e não é de se duvidar que acusaria a vizinha e ele presenciaria um catfight bem no meio da sua sala.

O curitibano esgotado de tanto pensar e não encontrar nenhuma solução plausível só pode tomar uma atitude quando ouviu o barulho das chaves de sua esposa na porta do apartamento.

— Estou cansado de você, estou cansado dessa sua desconfiança. Você nunca confiou em mim! - disse à esposa.
— Como assim? Não estou entendendo nada! - falou ela
— Claro, agora você se faz de rogada. - acusou
— Explique, por favor,o que está acontecendo?? - disse já alterando o tom de voz
— Por exemplo, olha, é só um exemplo viu? Se a calcinha da vizinha caisse aqui na sacada do nosso apartamento e eu tivesse que devolver. Você acreditaria em mim?
— QUE HISTÓRIA É ESSA DE CALCINHA DA VIZINHA???
— Olha aí! Ta vendo! Você nunca confia em mim, nem quando eu cito um exemplo totalmente fictício e distante da realidade.
— Não é bem assim amor, é que uma história meio estranha né?
— Esse casamento acabou para mim, você nunca será capaz de confiar em mim - disse altivo
— Não, por favor, não vai embora...

Ele nunca amaria outra pessoa como ela, mas foi embora devolver a calcinha da vizinha, antes que ela acabasse de verdade com o seu casamento.

2 comentários:

Issa Paz disse...

ÔOOO LOCO!

usahusahsuhsa

Fim inusutado e inesperado, poderia apostar em tudo menos isso!
usahusa
Tadinho do Curitibano, sem esposa .. mas pelo menos ele foi gentil né?
shausah

Boa
Valeu pelo comentário nO Padre Voador!
Volte sempre

Ivan Grycuk disse...

Quer dizer que curitibano só age sob pressão Dona Gina?!

O cara foi esperto, mas precisou de um empurrãozinho. E adorei o jeito que ele salvou o casamento, até imaginei ele voltando depois de devolver a calcinha, pedindo desculpas, ela também e... voilà, outra calcinha pela janela!!

Um beijo pra ti!!

Ah, eu teria deixado ela continuar a cair, afinal, como a tal vizinha de cima saberia que a calcinha dela caiu justo no meu apartamento? - solução para todos os meus problemas: VOU MORAR NUMA COBERTURA!!!