domingo, 1 de junho de 2008

Gina em: Criticada... Eu??


"Uma crítica é fogo que arde sem se ver
É Ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer "
Gina Camões

Gina resolve ser artista, resolve fazer teatro, entra numas aulinhas, resolve impressionar e interpretar Shakespeare. Na premiére, Gina está linda, loiríssima, uma deslumbrante Julieta, passou horas ensaiando, horas em claro passando e repassando todas as falas até o grande dia.

A cortina abre, lá está o público, algumas senhoras jornalistas estão sentadas num canto, noutro canto jovens apaixonados trocam carícias quentes, alguns casais mais adultos olham apavorados e chocados, cochichando entre si "vão pro motel cambada".

Enquanto isso, Gina espera sua fala, roeu todas as unhas das mãos até encostar nos dedos, tremeu todos os músculos do corpo e então ela ouve aquela fala que precede a sua. Gina caminha a passos lentos até o palco, se posiciona e quando abre sua boca para proferir o ensaiado texto. Uma tosse. Gina inicia novamente a tentiva de falar a frase. Um espirro. Gina começa a falar. Um ringtone. Gina está no meio da frase. Um cochicho das senhoras críticas de arte.

Gina continua falando suas primeiras falas, que são serias, agora chorando. Mais uma tosse. E assim a sinfonia de toques, espirros, ringtones e cochichos permanecem até o fim. A alegria de Julieta ao ver seu amado Romeu, virou uma chorosa e pouco convincente expressão. A peça termina, para o alívio de Gina, as pessoas aplaudem e ela se sente um pouco melhor. Podia ter sido pior, podia ter sido vaiada.

No dia seguinte, chegam as críticas, alguma positivas, outras negativas e Gina chora convulsivamente e quase desiste da promissora carreira.
Por que uma crítica pesa mais que vários elogios? Por que esperamos aprovação e aplauso? A verdade é que se expor todos os dias e lutar pelo que queremos é tão difícil, quanto realizar. Sempre em todas situações competimos com várias pessoas, justas ou não, que nos olham de cima baixo, nos medem, nos julgam e como diz aquele filme xolo do finado Heath Ledger, nos consideram insuficiente. Cada olhar reprobatório, cada sinal de descontentamento já é suficiente para abrir aquela portinha da dúvida: Será que eu sou boa mesmo??

E sempre tem aqueles que dizem que pouco se importam, a Gina DU-VI-DA. Saia na rua e leve uma olhada de reprovação de um gordinha, aquela de cima a baixo com carinha de nojo, não tem quem não se irrite, no fundo, quem não se incomode.

O aplauso é o incentivo que desejamos, esperamos o aplauso como reconhecimento por termos tentando, por termos se expostos e nem sempre o aplauso se converte numa crítica positiva, mas ele reflete que sua tentativa foi boa, que não foi tão ridículo e absurdo.

Um elogio não constrói um status de talento, muito menos uma crítica constrói um status de falta de talento, a verdade é que um apanhado de críticas e elogios constroem a verdadeira visão que as pessoas tem daquilo que é exposto e como você vai julgar, se uma crítica pesa muito mais para você. Não somos bons críticos de nós mesmos, nunca fomos.

Por mais que seja difícil, conquiste cada pessoa, cada elogio e sinta o gostinho de ter conquistado cada um, se alguém ainda não se convenceu, convença-o, tente de novo, tente de novo, se esmere.

Melhor tentar, ser elogiado e criticado, do que não ter platéia. Não é ?

Um comentário:

Creusa disse...

Ai ai...

Você é boa... sabes disso pequena camoes