quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Gina em: Uma Odisséia Curitibana

O curitibano e o vizinho no elevador:

O curitibano acorda, mau humorado, é claro, toma um café e pega o elevador no andar de seu apartamento e o elevador pára antes de chegar ao térreo...
— Fecha, fechaaaaa portaaaaa... Droga!!!!!!!
O vizinho abre a porta do elevador e entra, para infelicidade do curitibano.
— Bom dia!!!!!!!
— Bom dia...
O elevador demora séculos para descer até o térreo e aquele silêncio está incomodando já.
— Tempinho hein?
— Pois é, diz que vai chover hoje
— É essa cidade é maluca mesmo, ontem tava aquele calor...
E o elevador finalmente chega ao térreo e os curitibanos se despedem se sentindo os cidadões mais simpáticos do universo.

O curitibano e a pesquisa de opinião:

Lá vai o curitibano andando pela rua XV calmamente, está no horário e como todo habitante de sua cidade ele é uma lesma na calçada...
— Bommmmm diiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!- diz uma voz simpática que fez uma aparição espontânea na frente do curitibano bloqueando sua passagem. Ele pára, pensa um instante, dá uma avaliada de cima à baixo e nota a logomarca no canto direito da blusa.
— É pesquisa?? - pergunta
— Sim querido, mas é rapidinho são só algumas perguntinhas.
— Hmm... Então eu estou atrasado.
Desvia da pesquisa e apressa o passo até a próxima quadra.

O curitibano e a paulista no metrô.

O curibano vai à São Paulo a trabalho e precisa pegar o metrô para chegar a convenção da empresa. Ele entra no veículo e nota que todas as pessoas parecem estar conversando, pensando com os seus botões ele chega a conclusão que deve ser alguma turma de uma escola ou faculdade que pegam metrô junto, é claro. O curitibano senta num dos assentos em fileira na lateral e fica pensando na vida, no tempo...

— Oie!! Boa tarde!! Nossa que canseira hein, hoje trabalhei que nem um cavala, você sabe né, tem dia que o serviço é levinho, mas tem dia que pesa, nossa. To moída. Sabe que a minha vizinha, a Rosicreide, ela é uma folgada, trabalha só 4 horas por dia e fica reclamando ainda...- e a paulista continua contando da vizinha, da prima, da piriquita, do papagaio, do cachorro da Rosicleide.
Nesse momento o curitibano já está acuado, amendrontado, encolhido no assento. Entra em pânico com o excesso de contato humano num dia só, então ele começa a rezar já pensando que é assombração.
— Ei você quer uma bolacha? - oferece o curitibano, sentindo-se meio estranho pois é avesso a sua natureza oferecer coisas.
— Nossa que gentileza, eu aceito sim...

E o curitibano atocha a paulista de bolacha, uma atrás da outra, para ver se mastigando ela fica calada.

O curitibano e o turista pedindo informação.

O sujeito está aproveitando a manhã de sol, rara a sua cidade, para fazer uma caminhada, respirar ar puro, pegar um solzinho... Ele não se distancia muito de sua casa, porque no fim das contas ele não sabe nem ao certo onde é sua casa.
— Oie moço. Por favor onde fica a rua Bento Viana?
— Desculpe eu não sei...
Claro que ele não sabe, mas a Bento Viana era próxima rua a direita, simples assim. E o turista volta pra sua cidade dizendo que curitibano é grosso e não dá informação. A verdade é que curitibano não sabe onde fica lugar algum para poder dar uma informação.

O curitibano e o trânsito de São Paulo.

Existem 3 opções para um curitibano nessa situação:
1º- Ele se perde 355 vezes antes de chegar ao destino, porque nem em Curitiba, que a maioria dos locais tem fácil acesso, ele consegue andar. Imagine em São Paulo com um retorno a cada 50km.
2º- Ele bate o carro. Primeiro pois curitibano se acha O MOTORISTA, mas no fundo ele é lerdo no trânsito, ruim mesmo e ainda por cima, o curitibano acha que os outros motoristas são videntes, por isso ele utiliza a seta só depois que já fez a curva.
3º- Ele se perde mais uma vez, porque o paulista disse que ele precisava virar à esquerda depois do farol e o curitibano pato roda São Paulo inteira atrás de um farol. Porque em Curitiba farol é farol e sinaleiro é sinaleiro

O Curitibano e a pessoa simpática no ônibus.

A pessoa ao lado está degustando uma barra de chocolate que parece simplesmente deliciosa, o Curitibano está babando no chocolate, mas é claro que ele não vai nem puxar papo com a pessoa, porque no fim das contas ele só sabe falar no máximo do tempo de Curitiba, nunca que o papo ia chegar no chocolate.
— Ei você quer um pedaço de cholocolate??- O curitibano olha para pessoa como se estivesse olhando um alien
— Você não é daqui né?
É claro que a pessoa simpática não era de Curitiba

O curitibano e o turista que fala que os curitibanos são frios.

—Curitibano não é frio, só não somos muito simpáticos - defende-se
—Ah é claro né, mesma coisa que dizer que o gelo é frio mas não é frio.
— Nossa você viu que frio que fez hoje? Sai de casa tava tudo branco de geada - e o curitibano começa pela 15º vez ao dia falar do tempo estranho da cidade.

3 comentários:

Ivan disse...

Vou fazer um comentário pré-leitura hoje:

Nunca tive tantos comentários num post só! Já ia falar isso quando eram 5, agora são 6!

É a Gina quebrando e CONSOLIDANDO recordes!!

Ivan disse...

Engraçado, todo mundo fala que os curitibanos são bem, digamos, isso que você disse. Eu passei alguns dias em Curitiba e gostei muito da cidade. Gostei dos "pontos turísticos", dos corredores de transporte coletivo exemplo-para-o-mundo ultrapassados... e por ai vai, sabe como são essas coisas - já vou eu fazendo listas outra vez!

Quanto às pessoas, não tenho do que reclamar. Talvez porque nas vezes que eu fui só conversei com a galera extra-Curitiba... vai saber?
Prestei vestibular para a UFPR em 2005, no meio de um bando de outros vestibulandos forasteiros que, como eu, se perderam para economizar a passagem de ônibus.

A outra vez que eu fui, só tive contato com as atendentes de uma lanchonete HORRÍVEL (que eu esqueci o nome, mas é bem "famosa" por ai) e do Habib's. Fui com alguns amigos para descer a Serra da Graciosa de bicicleta. E olha a coinscidência:

"QUE FRIO!!!"

Creusa disse...

Curitibanos tem senso de segurança... não fala com estranhos.

Mas a paulista entochada de bolacha... serio não tem como rir