segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Gina em: O motivo.

A curitibana acordou naquela manhã de segunda-feira com uma sensação estranha, um frio na espinha, assustada, sentia o mau presságio no ar, aquela fina garoa, aquele tempo nublado, mas ela não era uma dessas pessoas que acreditam nos sinais místicos extra sensoriais. Simplesmente levantou-se da cama, vestiu-se, arrumou-se e foi-se cozinha abaixo preparar um café, um café bem forte, contudo no fundo da lata não havia pó algum, nada, nem instantâneo. Contentou-se com uma manhã sem café, algo que há muitos anos não acontecia a ela, porém aconteceu, poderia ser um mau agouro, mas ela preferiu não pensar nisso.

Concentrou-se em simplesmente em não pensar que algo errado estava acontecendo quando pisou literalmente numa bela bosta de cachorro com seu scarpin. Seu scarpin novo. Agora ela acreditava, definitivamente algo estranho estava acontecendo e o problema era com ela mesmo. Tentou limpar o sapato como pode e apressou o scarpin para chegar até o ônibus, mas ele foi embora, fugiu dela, na cara dura. Mal-educado!!

E ela ficou ali, amuada e triste, pensando "Entre tantos milhares de curitibanos por que eu????" e as respostas não vinham naquele banco gelado naquela manhã de segunda-feira. Tentou descobrir o que tinha feito de errado "será que acordei com o pé esquerdo?". O ônibus finalmente chegou após 30 minutos e ela continuava pensando "só pode ter sido café, segunda sem café deve dar azar em algum país asiático...".

A curitibana cética se tornava numa mística senhora buscando a causa daquele azar, uma senhora bem arrumada, com todo prumo, toda pompa... "Filho não, vira pra lá filho por favor! Você consegue filho.... AI MEU DEUS NÃO VOMITA NA MOÇA!!!". E vomitou. Regorjitou para ser mais educado. Ela queria xingar a criança, a mãe da criança, o pai da criança, o cobrador do ônibus, o motorista do ônibus, o aquecimento global, mas ela não conseguiu, não saía um palavrãozinho, então foi educada "Ah não se preocupe eu dou um jeito não tem problema...". "Como não têm problema?? Você está maluca?" pensou a curitibana "Como eu vou tirar esse cheiro de leite azedo de cima de mim"

Não tirou, foi daquele jeito mesmo trabalhar, não havia outra maneira. Sentia as pessoas olhando para ele de um modo estranho, sentia que todo mundo sabia que ela estava vomitada, mas não seria um vomitozinho que iria derrubar a curitibana. Certo que fedia muito, mas não ia derrubar né.

No trabalho as pessoas evitavam ela, riam-se dela, tentou apelar para o chefe para ir embora, mas não conseguiu. Aquele dia parecia não ter fim e tudo, simplesmente tudo que ela tocou desde o início daquela manhã deu errado, principalmente um extenso relatório, um enorme relatório, um gigantesco relatório que ela mesma havia feito durante duas semanas foi fustigado por uma xícara de café que fez um salto duplo e caiu com tudo em cima do relatório e o arquivo decidiu sumir do seu computador depois disso.

Várias outras coisas aconteceram ao dia da curitibana, coisas demais para um texto só, ela não sabia mais a quem recorrer, o que esperar, a cada desastre ela dizia "Tudo bem só mais este" e acontecia mais e mais. "Por que eu ???" ela dizia. Ninguém sabia, mas a verdade é que todo mundo naquele departamento, naquele bairro, naquela cidade, não estavam tendo um bom dia e quando o prefeito se perguntava em pleno gabinete "Por que eu??? Qual é o motivo de tantos infortúnios"

Tudo porque chovia e quando chove em Curitiba nenhum curitibano consegue ter um dia que preste, nenhum, a chuva pode ser fraca ou forte, mas bastou um dia nublado para o curitibano se transformar num lobisomem, um bicho mau-humorado, pessimista, que não dá nem bom dia no elevador, não consegue nem esboçar um meio sorriso, quiça um inteiro. Deve ser algo na chuva dessa cidade que transforma as pessoas nesses seres pouco sociáveis e é por isso que o curitibano é como é naquele fatídico dia que um turista cruzou com uma espécie perdido por aí, frio, pessismista, estranho... Tudo porque chovia e quando chove em Curitiba nenhum curitibano consegue ter um dia que preste!

Um comentário:

Issa Paz disse...

Caramba, eu não queria ser curitibana nessa horas, muito menos essa curitibana, não se tem dias ruins só em Curitiba, Paulistanos tem dias ruins todos os dias, vai entender!