quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Gina em: Amores Curitibanos

Era um vez um curitibano que não tinha um curitibana para amar, tinha 24 anos, estava se formando, empregado, tinha tudo, faltava-lhe o amor. Ah o amor! Em uma bela manhã de domingo o curitibano sentou num banco no meio da Vila Pinto, certo de que, talvez uma moça de origem mais humilde fosse mais fácil de conquistar, de casar, de ter filhos... 

Sentado naquele banco ele via de tudo, gordas, magras, altas, baixas, sorridentes, banguelas, travestis. Passava de tudo, tudo mesmo, mas eis que o mundo parou, alguém colocou uma música romântica e ela passou: Uma deusa! Uma ninfa! Uma sereia! Era a Gisele Bündchen da Vila Pinto! E ela passava, toda sorridente, toda luminosa, com as suas pernas torneadas, seios fartos e lábios vermelhos. Seu olhar insuante quase matou o curitibano e ele sem ar só podia pensar que era ela, a mulher de sua vida!

 Pensou em levantar do banco e simplesmente dizer para a moça "Oi ... só queria dizer que... você é a mulher da minha vida! Casa comigo?", parecia bonito, mas havia dois problemas: primeiro, ela não iria acreditar, iria achar que era uma cantada barata, segundo, ele era curitibano, não sabia falar. Calou-se e ficou observando, era tudo que podia fazer.

 Observou tudo, aliás observou por 6 meses, não conseguia tomar coragem para falar com ela, não sabia como fazer isso, nem quando, nem onde, mas sabia onde ela morava, como se vestia, como se portava na rua, sabia até seu signo e o cachorro que ela gostava. Adorava chiwawas. E assim observando comprou um apartamento e decorou como presumia que ela gostasse, comprou um anel de noivado, marcou o casamento, comprou tudo até o chiwawa, só faltava a rainha daquele palácio, que próximo do dia dos namorados ele decidiu ir buscar de uma vez por todas, não importava o que fosse acontecer, iria falar com ela. Treinou por um mês, planejou, arquitetou, seria direto, franco e romântico e ela apaixonada, seria carregada por ele até o topo do palácio e.... 

- Bom dia! Essas rosas são para você moça!

- Nossa que gentileza! Quem mandou?

- Eu mesmo! Estou apaixonado desde o primeiro dia em que te vi, gostaria de saber se você topava sair comigo hoje à noite?

- E você vai pagar quanto garanhão?

- Er... ahn... Como assim pagar? Garanhão?!?

- Sabia! Esse papinho todo! Não quer pagar pela noite né? É cada um que me aparece!!! Eu vivo disso sabia? Se eu não cobrar passo fome e ...

- Desculpe foi engano...

 E saiu correndo, desabalado, de coração partido o coitado do curitibano! A princesa do seu lar, a rainha do seu coração, a sua Gisele Bündchen da Vila Pinto era uma prostituta, linda, mas prostituta, maravilhosa, mas prostituta. Não podia suportar a dor, olhava para os móveis, para casa, para o castelo que tinha construído para ela, via seu sonho despedaçado, se ele tivesse lhe falado naquela manhã em que viu ela passar pela primeira vez, nada disso teria acontecido, nenhum móvel comprado, nenhum anel, nenhum cachorro, nada, mas ele era curitibano, se não fosse, a história seria outra. 

O curitibano sofreu tanto que nem sabia mais onde sua dor começava e onde parava, praguejou tudo que podia, principalmente essa sua incapacidade de falar, essa coisa toda de ser curitibano. Chorou, chorou. Xingava: "É uma puta mesmo" e doía mais saber que não era um simples xingamento, mas como este final infeliz não dá ibope, vamos mudar um pouco o fim das coisas,o curitibano ficou com o chiwawa e o apartamento e nele foram felizes para sempre. Fim!

3 comentários:

~ Kakate.psd disse...

Adoro finais felizes entre Curitibanos e Chiwawas *-*

Ivan Grycuk disse...

Olá Dona Gina, de volta a ativa então?!

Você me fez sentir dó do curitibano... não por ter comprado as coisas e etc, ou pq os chiwawas enchem o saco ou coisa assim... me deu dó dele ser curitibano mesmo sabe, você me entende, né?!

Bate aquela coisa na cabeça depois de um texto desses, mas qual é o problema dela ser puta?! É até uma profissão legalizada, dá até pra por na carteira de trabalho aqui no Brasil. Acho que pior seria se ela comandasse o jogo do bicho ou roubasse pizzas do entregador, ai sim seria ruim!!

Estava com saudade dos teus textos, larga a mão de fazer faculdade e escreve, Dona!! - brincadeira, mas tenta conciliar os dois... eu sei que não é fácil e dá um baita desanimo as vezes, mas... sabe como é, né: tem blogs e escritores que não podem parar!! Aproveita teu talento!!

Um beijo pra ti, Dona Gina!

*ah, o comentário da kakate:
hauhuahuahuahuahuahuahuahuahuahua
hauhauhauhauhauhauhauhauhauhuahuah
huahauhuahauhuahuahuahuahuahuahau
**me matei de rir com ele

Ivan Grycuk disse...

Ah... eu nunca derreti lesmas nem torrei formigas, eu posso atirar a pedra!!!! - mas já dei laxante pra cachorro...